NOTÍCIA NA ZH DE HOJE
Ameaça de multa levou paz às prisões
Decisão de juiz de penalizar o sindicato dos agentes penitenciários com R$ 20 mil ao dia por presídio que impedisse visitas a presos garantiu normalidade em meio a um clima de tensãoApós endurecer o jogo e pedir à Justiça a ilegalidade da greve, o governo deverá reabrir hoje as negociações com os agentes penitenciários. Apesar do temor de rebeliões e de a Brigada Militar ter entrado em estado de alerta, as visitas aos presos transcorreram normalmente nos presídios gaúchos durante o final de semana. O que garantiu o clima de tranqüilidade foi a determinação judicial para que os servidores permitissem o acesso às cadeias dos familiares dos detentos, sob pena de uma multa diária de R$ 20 mil ao sindicato da categoria, por presídio em que as visitas não ocorressem.
Hoje, a greve completa 24 dias. E a situação é de impasse. O sindicato dos agentes espera ser chamado para retomar o diálogo com o governo, interrompido na sexta-feira depois que a categoria resolveu manter a paralisação e provocou a ira do secretário da Segurança Pública, Edson de Oliveira Goularte.
- Temos como reabrir um ambiente de negociação - disse Flávio Berneira Junior, vice-presidente do sindicato.
A intenção do governo, que na sexta-feira criticou o movimento e pediu na Justiça a ilegalidade da greve, é de retomar as negociações. Até a noite de ontem, no entanto, nenhum encontro havia sido marcado oficialmente.
Os grevistas condicionam a volta ao trabalho à garantia de envio do projeto do plano de carreira à Assembléia Legislativa. A proposta está na Casa Civil, já endossada pelo secretário Goularte.
Durante o sábado e o domingo, a movimentação foi tranqüila nos presídios. O sindicato, que na sexta-feira anunciou a suspensão da visitação, orientou os servidores a cumprir a determinação judicial e garantir a segurança durante a entrada dos familiares dos detentos. Porém, os demais serviços externos com os presos, como transferências e transporte para audiências, seguem suspensos na maior parte do Estado. A paz nas cadeias trouxe alívio à cúpula da segurança pública no Estado, que temia motins ontem, o dia de maior fluxo de pessoas nas prisões.
- A visita era o que mais nos preocupava, porque é sagrada para o preso. Quando eles vêem que seus familiares não podem entrar, ficam revoltados. A tensão baixou bastante - comemorou o superintendente-adjunto da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), Bruno Trindade.
A Brigada Militar emitiu alerta aos comandos regionais e passou o domingo de prontidão, mas não precisou intervir em nenhum presídio. No sábado, a BM passou a auxiliar na segurança interna do Presídio de Cruz Alta, mas a administração segue a cargo da Susepe. Agora, a BM está dentro de 14 presídios em função da greve. Outros dois, o Presídio Central de Porto Alegre e a Penitenciária Estadual do Jacuí, já estavam sob o controle da corporação.
- Acreditamos que a fase crítica já passou - afirmou Paulo Roberto Mendes, comandante-geral da BM.
O governo decidiu ontem não recorrer da decisão da madrugada de sábado do juiz de plantão do Fórum de Porto Alegre, Sidinei José Brzuska. Apesar de determinar a garantia às visitas e a manutenção de 30% do efetivo dos agentes, ele considerou a greve legal, contrariando pedido do governo.
Espero que possamos ter uma boa notícia hoje, sendo encaminhado o plano de carreira dos servidores penitenciários principalmente. Não é muito o que estamos pedindo e já que a radicalização da greve foi na prática proibida, cabe agora ao governo alguma dose de boa vontade para atender uma categoria que tem prestado ótimos serviços, porém sempre ganhando pouco e com péssimas condições de trabalho. E que os governantes parem com essas propostas absurdas de passar o sistema penitenciário para a Brigada Militar, ou privatizar, "modelo híbrido" e outras bobagens que certos oportuniistas tentam incutir em mentes pouco brilhantes.