1
de
setembro
Opinião do Repórter Humberto Trezzi
"À espera de respostaOgeneral reformado Edson Goularte completou quinta-feira um mês à frente da Secretaria da Segurança Pública. Exibe um perfil de atuação oposto, em tudo, ao dos seus antecessores. Adotou o silêncio como tática, em contraposição a Enio Bacci - um verdadeiro showman, sempre sob os holofotes e junto aos policiais - ou mesmo a José Francisco Mallmann, conhecido pelas preleções para a mídia e os subordinados.
O resultado é que, passados mais de 30 dias, pouco se sabe sobre as idéias de Goularte a respeito de segurança pública. É notório que a governadora Yeda Crusius tinha preferência por um secretário que falasse pouco e trabalhasse muito. Goularte mais do que se enquadra nesse perfil. Beira o mutismo.
O problema é que a sociedade anseia por saber algumas das receitas do general para o combate à criminalidade. Lógico que ele ainda está tomando pé no cargo, mas é também notório que estuda o tema há quase uma década, desde que saiu do Exército. Alguns assuntos pendentes:
1) No que consiste mesmo a Teia, idéia de Goularte para que a sociedade informe permanentemente as autoridades de crimes que são cometidos? É uma rede de informantes?
2) Como estancar a onda crescente de homicídios dos últimos anos (embora tenham diminuído nos últimos meses)?
3) Na medida em que a maioria dos assassinatos está relacionada ao tráfico, como combater o avanço da venda de entorpecentes?
4) Como minorar o déficit de PMs (faltam 10 mil policiais) e a carência de 5 mil policiais civis?
5) Existe algum plano para reverter a tendência de existirem menos policiais nas regiões onde se registram mais crimes? Serão feitos remanejos de pessoal?
6) Quantos comandos regionais da BM e delegacias regionais da Polícia Civil serão extintos? Quando?
7) Como melhorar a produtividade da Polícia Civil, já que hoje apenas 16% dos inquéritos se transformam em denúncia dos promotores contra o crime?
Ao responder a essas questões, Goularte prestaria contas do seu trabalho à comunidade."

