Blog do Cavalcanti

Notícias, estudos e reflexões sobre o sistema penitenciário, violência, criminalidade, segurança pública, política e temas sociais

19

de
agosto

Volta à Normalidade

As casas prisionais retomam o andamento das atividades, algumas nem tinham parado totalmente, outras ficaram com grande acúmulo de tarefas pendentes, mas aos poucos as demandas vão sendo atendidas.

Do episódio da greve, assim como acontece em todas as crises, tiramos algumas lições positivas. Em momentos de exceção, em que os ânimos se exaltam, há colegas que nos surpreendem positivamente, outros mostram sua verdadeira face de oportunistas, irresponsáveis e incompetentes.

Na última sexta-feira debati o assunto da radicalização de grande parte do grevistas, com um diretor de uma penitenciária, que abandonou a casa que dirigia e aderiu irresponsavelmente ao movimento. Toda essa balbúrdia para mim foi o único momento em meus quase 30 anos de Susepe, em que senti vergonha do que estava acontecendo no meu ambiente profissional. Em contrapartida, o tal diretor que entregou a sua penitenciária para a Brigada Militar, disse que em mais de 20 anos de serviço foi a única vez que sentiu orgulho de trabalhar na Susepe. Encerrei a discussão, pois nos situamos em polos bem distantes, graças a Deus.

E é mesmo essa a realidade no nosso quadro funcional e durante esta greve isso ficou bem nítido. De um lado aqueles que simplesmente odeiam trabalhar na Susepe, mas não têm coragem, competência, nem discernimento para seguirem outros rumos.  De outro lado, os que valorizam a Susepe, que gostam do trabalho que desempenham no sistema penitenciário e acreditam que de forma construtiva poderemos melhorar nossas condições de trabalho e adquirir respeito da sociedade pelos serviços que prestamos. De um lado os que fizeram de tudo para provocar rebeliões nos presídios e entregar as casas prisionais à Brigada Militar. De outro, os servidores, inclusive os que exercem funções de chefia, que chegaram a trabalhar vários dias seguidos para evitar que aquelas intenções destrutivas se concretizassem.

Irei propor louvores aos verdadeiros heróis que evitaram que suas casas fossem entregues para outra corporação, não arredando o pé do seu local de trabalho até a situação se normalizar. Sofreram várias pressões, ofensas e acusações com o intuito de se desestabilizarem, atitudes baixas de gente baixa, porém mantiveram-se firmes, até o fim.

Parabéns a estes grandes servidores.

Aos demais, se não gostam do que fazem, nem do local onde trabalham, nos façam um grande favor: PEÇAM PARA SAIR!

1 Comentário »

  1. Comentário por Marco Antonio Schuck — 20 de agosto de 2008 (22:57)

    Espero opiniões como a desse servidor que foi referido sejam suprimidas por colegas como os que defenderam verdadeiramente a Susepe. Eu me senti humilhado ao me ver forçado a entregar a PMEC aos cuidados da BM. O meu local de trabalho, de onde eu tiro meu sustento de forma honesta, onde eu escolhi ficar, pois como qualquer outro descontente, poderia ter ficado na iniciativa privada. O que me motiva a continuar é saber que existem colegas que fazem valer a pena ser integrante da Susepe. Os próximos dias serão tão difíceis, ou ainda mais, dos dias de greve. Os servidores arruaceiros, bagunceiros, mau-caráter e sem disposiçao para trabalhar que tentaram destruir o sistema prisional vão “inventar” perseguições e retaliações, se vitimizando ou inventando mais fofocas para tentar desviar a atenção da irresponsabilidade que eles cometeram.
    Foi um momento importante para que cada um pudesse mostrar sua verdadeira face.

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