Blog do Cavalcanti

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3

de
julho

Toupeiras em Fuga

Nove presos ligados ao PCC estão foragidos

Integrantes do bando que construiu túneis destinados a arrombar os cofres de duas agências bancárias no centro de Porto Alegre, em 2006, não ficaram muito tempo na cadeia.
Nove deles estão foragidos, após ficarem menos de dois anos atrás das grades. A notícia percorreu ontem os corredores da sede da superintendência regional da Polícia Federal (PF) e provocou revolta. Foram os federais os autores da prisão de 39 integrantes do bando, na chamada Operação Toupeira, deflagrada em 1º de setembro de 2006. Desses, 26 foram capturados em Porto Alegre quando ainda trabalhavam na construção de dois túneis.
Os buracos levavam dos subterrâneos da Rua Caldas Junior, no Centro, até as agências do Banrisul e da Caixa Econômica Federal situadas na Praça da Alfândega. Os "toupeiras" foram surpreendidos dias antes de partir para o ataque aos bancos, que seriam arrombados desde o subsolo.
Os federais descobriram que o bando tem vinculações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), maior organização criminosa paulista. Um dos presos, Carlos Antônio da Silva (o Balengo ou BL) está indiciado em São Paulo por suposta participação no seqüestro de um jornalista da Rede Globo. Outro dos capturados seqüestrou o gerente de um banco em Sergipe.
A quadrilha também foi responsável pelo mais valioso arrombamento da história brasileira, o furto de R$ 164 milhões do Banco Central de Fortaleza (CE), em agosto de 2005.
A Justiça Federal do Rio Grande do Sul agiu rápido e, em 18 de abril de 2007, condenou 29 dos "toupeiras" por tentativa de furto qualificado e formação de quadrilha. As penas variam de três a sete anos de reclusão. Todos ficaram inicialmente na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas. Os problemas começaram quando os presos ganharam o benefício do regime semi-aberto, após cumprir um sexto da pena. Nove deles foram transferidos para albergues ou colônias penais agrícolas.
Todos os nove fugiram. A suspeita da PF é de que tenham se escondido em São Paulo ou no Nordeste, de onde alguns são originários. Outros 20 continuam no regime fechado (16 na Pasc e quatro em penitenciárias de outros Estados).

- O regime semi-aberto é isso aí. Pressupõe que as pessoas tenham vontade de cumprir a lei. Infelizmente, esses aí não têm - lamenta o superintendente dos Serviços Penitenciários do Rio Grande do Sul, Geraldo Bertolo.

Os que fugiram

Os nove foragidos estão condenados por tentativa de furto qualificado (arrombamento) e formação de quadrilha. Alguns estão sentenciados a mais anos de reclusão do que outros porque tinham antecedentes criminais, o que resulta em penas maiores:
- Alberto Mendrone Mendes Nogueira, condenado a cinco anos e 10 meses de reclusão. Foragido do semi-aberto na Colônia Penal Agrícola de Mariante (Venâncio Aires) desde o dia 26 de fevereiro.
- Alexandre Antunes, vulgo Neguinho, condenado a sete anos de reclusão. Foragido do semi-aberto na Colônia Penal Agrícola de Mariante desde 3 de maio.
- Antônio Nascimento Alves, vulgo Potonho ou Toninho, condenado a sete anos de reclusão. Foragido do semi-aberto da Colônia Penal Agrícola de Mariante desde 22 de março.
- Carlos Antônio da Silva, vulgo Balengo ou BL, condenado a sete anos de reclusão. Foragido do semi-aberto da Colônia Penal Agrícola de Mariante desde 27 de fevereiro. É suspeito do seqüestro de um jornalista da Rede Globo.
- Cláudio Roberto Ferreira, condenado a sete anos de reclusão. Foragido do semi-aberto no Instituto Penal Escola Profissional de Charqueadas desde o dia 29 de abril.
- Kleber Lúcio Gonçalves, condenado a cinco anos, 10 meses e 20 dias de reclusão. Foragido do semi-aberto da Colônia Penal Agrícola de Mariante desde 22 de março.
- Luís José Mendes Nogueira, condenado a cinco anos, 10 meses e 20 dias de reclusão. Foragido do semi-aberto do Instituto Penal Pio Buck desde 28 de outubro de 2007.
- Leandro da Silva, vulgo Lelê, condenado a três anos e 11 meses de reclusão. Foragido do semi-aberto no Instituto Penal Escola Profissional de Charqueadas desde o dia 28 de outubro de 2007. Indiciado pelo seqüestro do gerente de uma agência da Caixa Econômica Federal em Aracaju (SE).
- Reginaldo Amaro Brasil, vulgo Bucho Quebrado, condenado a cinco anos, 10 meses e 20 dias de reclusão. Foragido do semi-aberto da Colônia Penal Agrícola de Mariante desde 22 de março.

Comentário

E ainda temos que manter este sistema de progressibilidade da pena. Já é sabido que para muitos bandidos a progressão do regime para o semi-aberto significa apenas uma possibilidade de abreviar o cumprimento da pena e poder voltar à delinqüência. Porém, aqui neste país isso não muda. É um princípio constitucional. Fora os casos de apenados que no regime aberto ou semi-aberto fogem várias vezes, além de cometer uma série de faltas disciplinares, demonstrando com isso, que não estão preparados a retornar ao convívio social, mas os juízes daqui da comarca de Porto Alegre não decidem pela regressão para o fechado, estimulando assim, as condutas delitivas.

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