Blog do Cavalcanti

Notícias, estudos e reflexões sobre o sistema penitenciário, violência, criminalidade, segurança pública, política e temas sociais

31

de
julho

Amanhã Tem Assembléia

Amanhã está marcada uma assembléia dos servidores penitenciários, para reavaliar sobre a manutenção do movimento grevista. Os representantes do governo encaminharam comunicação de que o projeto do plano de carreira foi encaminhado à secretaria da fazenda, onde será analisado e encaminhado posteriormente à Assembléia Legislativa.

Espero que a situação retorne à normalidade, pois precisamos de muito trabalho para manter o nosso sistema penitenciário, tão carente de recursos e que tanto onera os servidores. As condições de trabalho têm que melhorar muito, em todos os sentidos. Os salários são baixos, os recursos escassos, os locais de trabalho, via de regra, não oferecem segurança e salubridade, sendo estes elementos a agravar a situação de penúria pela qual passamos. Mas temos que seguir em frente. Ainda bem que tenho notado - apesar de estar em férias em local longínquo - uma disposição ao diálogo por parte das autoridades. Assim, construiremos um novo sistema penitenciário, tenho certeza disso.

31

de
julho

Brigada Militar Assume Mais Um Presídio

Na manhã desta quinta-feira, a Brigada Militar assumiu totalmente a segurança interna do Presídio Regional de Santa Cruz do Sul, desde as 7h, com o término do plantão de dois agentes penitenciários que não estão em greve e entraram em folga. Doze PMs que fazem a guarnição do local assumiram a casa.

Além dos agentes que saíram, apenas o administrador do presídio, Antônio Carlos Gonçalves, e três funcionários do setor administrativo não aderiram à paralisação.

31

de
julho

Vácuo de Conhecimento

Por Fábio Reynol, de Campinas

Agência FAPESP – A cada ano, cerca de 130 mil pessoas perdem a vida no Brasil por causa dos mais diversos tipos de violência. Foi com esse dado que o sociólogo Gláucio Soares abriu sua palestra no 6º Encontro da Associação Brasileira de Ciência Política, nesta quarta-feira (30/7), na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O pesquisador, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), atribuiu as responsabilidades pelo problema não somente ao poder público, mas também ao cidadão e até à comunidade acadêmica. Segundo ele, o conhecimento científico tem um impacto importante na redução dos índices de violência.
Soares criticou a falta de estudos ligados ao tema e relacionados ao Brasil ou à América do Sul. “Se fizermos um levantamento nos trabalhos de mestrado e doutorado em ciências políticas em todo o país, teremos a impressão de que alguns países não existem”, disse o pesquisador. Paraguai, Peru, países da América Central, nações africanas –, com exceção da África do Sul –, e regiões do próprio Brasil são algumas das omissões que destacou na produção acadêmica nacional.
“Alagoas, por exemplo, é um dos estados mais violentos e simplesmente não sabemos o que está acontecendo lá”, disse. O preço dessa omissão, segundo ele, é maior do que as vidas tiradas anualmente, pois ainda é preciso considerar os feridos e as demais seqüelas deixadas pela violência.
No entanto, para Soares, não adianta ter dados se não houver ações de governo. Para ele, as políticas públicas são “fios invisíveis”, uma vez que sua percepção por parte da sociedade é sutil, embora façam muita diferença.
Segundo o sociólogo, essas políticas envelhecem e precisam ser renovadas. Como exemplo do processo de obsolescência mencionou o código de trânsito brasileiro de 1961, que reduziu constantemente os acidentes fatais até o fim da década de 1970, quando o número de ocorrências se estabilizou.
“Quando um novo código de trânsito foi adotado, em 1997, o número de mortes caiu dramaticamente, mais uma vez. Foram mais de 4 mil vidas salvas somente no primeiro ano de implantação”, afirmou.

Ação acadêmica

Como exemplo de colaboração acadêmica e cidadã contra a violência, Soares citou um trabalho que coordenou na Universidade de Brasília (UnB) na década de 1990, quando seis alunos se voluntariaram para levantar dados a respeito das mortes no transporte público na capital federal. Ao sair em campo, os estudantes constataram que a maioria dos acidentes se dava nos ônibus no momento em que o passageiro desembarcava do veículo.
A solução proposta foi a adoção de um equipamento mecânico que impedia que o motorista movimentasse o veículo com a porta aberta. Entretanto, somente as empresas públicas de transporte adotaram a tecnologia, fazendo o número de fatalidades entre eles cair a zero. Nas companhias privadas, as mortes continuaram.
“Essas empresas, que são licenciadas pelo poder público, não se moveram pelo interesse da sociedade”, apontou Soares, colocando a responsabilidade pela violência também sobre a iniciativa privada.
A recém-criada “lei seca” nacional, que pune os motoristas flagrados embriagados, também foi mencionada como exemplo de medida respaldada em fatos científicos.
“O álcool está diretamente associado à questão da violência doméstica, do trânsito e aos homicídios”, afirmou o pesquisador citando exemplos das cidades de Bogotá, na Colômbia, e Diadema, na Grande São Paulo. Ambas tinham índices de violência alarmantes e adotaram medidas de restrição ao álcool, como a lei apelidada de “fecha-bar” na cidade paulista.
Adotada em 2001, a lei que proíbe o funcionamento de bares após as 23 horas ajudou a tirar Diadema dos primeiros lugares no ranking das cidades mais violentas do Brasil, resultando em uma redução de 68% da taxa de homicídios no município.
Bogotá, por sua vez, foi governada por rivais políticos que se revezaram no poder, mas que mantiveram as políticas de sucesso dos antecessores. “Foram políticas de Estado e não de governo, por isso deram certo”, disse o pesquisador.

31

de
julho

Efeitos da Radicalização

Vejam a reportagem na ZH de hoje, falando em alternativas de gestão das penitenciárias, em passar para a Brigada Militar ou em "sistema híbrido", ou privatização, além de afirmar que a corrupção ocorre mais com servidores civis do que com militares.

Tenho falado que a radicalização arranha a imagem da categoria, independentemente de conseguirmos o atendimento de reivindicações. Agora aguentem o que virá.

A REPORTAGEM

Um sistema preso ao passado

A tensão crescente nas prisões, pautada por tumultos decorrentes da greve dos agentes penitenciários, tornou evidente a falência do modelo penitenciário. Com guardas de braços cruzados e presos amotinados devido à falta de visitas, a Brigada Militar foi encarregada de assumir as prisões atingidas pela greve. Na noite de ontem, 10 mil presos (mais da metade da massa carcerária confinada em regime fechado) estavam sob controle militar em 15 prisões, algo inédito na história gaúcha.

Existem negociações encaminhadas para o fim da paralisação dos agentes, mas se isso não acontecer, fica a pergunta: até quando a BM vai desguarnecer as ruas - como reconhece o próprio secretário da Segurança Pública, Edson Goulart - para gerenciar presídios? Até ontem, a BM já havia deslocado 450 PMs das ruas para as cadeias em função da greve.

Mais do que isso, o próprio papel dos agentes penitenciários gera questionamentos. Grande parte da população acredita que gestões civis nos presídios viabilizam maior corrupção e mais chances de fuga de presos. Seria então o caso de militarizar de vez os presídios, bastando para isso designar mais policiais para essa tarefa e para não comprometer o policiamento de rua? Especialistas ouvidos por Zero Hora garantem que não é tão simples assim. Os próprios PMs são avessos à idéia.

Com a experiência de quem foi chefe da Força-Tarefa da BM nos Presídios e diretor do Presídio Central (em 1995), o tenente-coronel reservista Paulo Astor Eifler Cordeiro diz que os agentes penitenciários devem administrar as prisões, desde que corretamente preparados e melhor pagos:

- A missão dos agentes é ficar 30 anos com os presos. A dos PMs é combater o crime nas ruas. Quem prende não guarda, já diz um ditado dos presídios.

Semelhante é a opinião do atual diretor do Departamento Penitenciário do Ministério da Justiça (Depen), o promotor gaúcho Airton Michels, que dirigiu o sistema penitenciário do Rio Grande do Sul entre 1999 e 2002. Ele afirma que o agente leva vantagem ao cuidar dos presos, porque trabalha com sensibilidade e tem preparo psicológico para tratar o apenado.

- Agentes fazem cursos para isso. Sua formação não é para o confronto. Cuidam, em tese, dos presos como clientes. O policial tende a ver o detento como adversário, apesar do trabalho da BM nos presídios ser excelente - resume o diretor do Depen.

Alternativas têm sucesso em outras partes do país

Michels lembra que a Lei de Execução Penal (LEP) prevê a recuperação do cidadão, missão para um agente ou monitor, não para o policial. Mas e o efeito colateral, com mais suborno e fugas quando os agentes administram presídios? O ex-deputado e consultor em segurança pública Marcos Rolim acredita que o histórico aponta nessa direção. Quando os carcereiros eram civis, opina o especialista, a corrupção e a violência eram mais intensas nos grandes presídios.

Ex-crítico da intervenção da BM nas penitenciárias, Rolim agora acha que foi uma boa iniciativa.

- A desvantagem da Força-Tarefa da BM é que ela tem custo muito alto (a maioria dos PMs vem do Interior e recebe diárias por isso) e as ruas ficam sem esses policiais. É o cobertor curto. O ideal é que a administração dos presídios não seja feita por policiais, nem por carcereiros, mas por profissionais gabaritados - pondera Rolim.

E que profissionais seriam esses? Existem modelos alternativos no Brasil. Um deles é o dos agentes das penitenciárias federais de segurança máxima. Eles têm curso superior, ganham mais de R$ 5 mil e cada guarda tem a missão de vigiar, no máximo, quatro presos.

Cada agente estadual gaúcho, só para dar uma idéia, cuida de um número 10 vezes maior de detentos. O problema é que o esquema federal funciona bem em presídios com vagas dentro da capacidade e não em superlotadas cadeias, como as do Rio Grande do Sul, ressalva o diretor do Depen, Airton Michels.

Uma outra alternativa é composta pelas Associações de Proteção e Assistência a Condenados (Apacs). São entidades sem fins lucrativos que, via convênios com a Justiça, administram presídios dos regimes fechado e semi-aberto. Existem 22 casas prisionais administradas por Apacs em Minas Gerais e 10 em São Paulo. São presídios pequenos, para até 150 presos. A exigência para o detento ficar ali é que tenha bom comportamento e goste de trabalhar ou estudar.

Modelo híbrido poderia trazer melhores resultados

As Apacs não são controladas por agentes ou policiais, mas por monitores com formação universitária (como Psicologia, Assistência Social e Direito). A reincidência dos apenados tem sido inferior a 10%, enquanto a média nacional é de 85%. Um paraíso? Nem tanto. Líderes de quadrilha ou de facções, pela própria tendência em comandar crimes de dentro dos presídios, ficam fora das Apacs. Presídios grandes e superpopulosos - que caracterizam as capitais brasileiras - também não se adaptam a esse modelo. Além disso, a idéia pressupõe trabalho por parte do detento e muitos não querem isso.

Existiria ainda a opção de privatizar os presídios. Dez deles foram transferidos à iniciativa privada no Paraná a partir de 2002. Acabaram reestatizados. Eles não registraram fugas, mas o governo atual chegou à conclusão de que muito dinheiro ia parar na mão de empresários e pouco nos cofres do Estado, que construiu as unidades.

Talvez, como cogitam Michels, Rolim e Cordeiro, a solução não seja única, mas a adoção de modelos de acordo com peculiaridades regionais. Ou uma fórmula mista, que una a disciplina aos moldes militares com a formação profissional dos agentes civis, todos muito bem pagos.

31

de
julho

Reunião da Amapergs com Secretário

Ontem o novo secretário, Edson Goularte, recebeu o sindicado dos servidores penitenciários, buscando alternativas para pôr fim à paralisação que já completa dezoito dias.

Segundo o secretário, o objetivo é o de entrar em acordo em relação aos 14 itens que compõem a pauta de reivindicações a categoria, mas levando em conta a atual situação financeira e administrativa do Estado. Também afirmou que a busca de soluções de consenso almejam construir novos rumos não só aos servidores, mas sim para toda a sociedade gaúcha.

Ficou definido que a secretaria encaminhará à Casa Civil, até esta quinta-feira, a proposta de Plano de Carreira dos servidores penitenciários - item que contemplaria pelo menos outros cinco pontos da pauta de reivindicações - e considerado vital para determinar o término da paralisação. O trâmite da proposta será acompanhado pessoalmente pelo secretário junto a Casa Civil e demais instâncias legais, visando agilidade na análise e uma rápida resposta a Amapergs.

Durante a reunião, Goularte esteve acompanhado da cúpula da Superintendência dos Serviços Penitenciários, do chefe de Gabinete da SSP, Paulo Renato Biacchi Rodrigues, e do Ouvidor-Geral da Segurança, Adão Paiani.

30

de
julho

Nova Aparência

Mudo novamente a aparência do blog. Na verdade o portal não apresenta muitas opções como acontece em outros, tampouco mais alternativas. Mas é nesse que eu estou, então vamos alternando a máscara da tela para não enjoar.

O importante é o conteúdo divulgado.

30

de
julho

Vergonha

Sinto vergonha ao assistir a Brigada Militar tomar conta das penitenciárias para garantir o cumprimento da lei, algo que o movimento grevista não está respeitando.

Repito que as reivindicações são justas e que o movimento poderia se manter como iniciou, ou seja, cumprindo certos deveres para que os direitos de pessoas que não têm culpa nenhuma da situação sejam respeitados.

Mas resolveram radicalizar, dar maior visibilidade ao levante. Péssimo para todos nós, mesmo que o governo conceda alguns pedidos em pauta, pois a imagem sai arranhada no episódio. E a Brigada Militar, mais uma vez, aparece como a corporação que coloca ordem na casa.

30

de
julho

As Prefeituras e os Presídios

Artigo na ZH, por Júlio Francisco Gregory Brunet, economista

Os presídios brasileiros são o equivalente dos gulags ou de Treblinka. Este é o resultado do relatório senatorial que expõe de modo realista a crítica situação dos estabelecimentos penais do país. Ao agirmos, por décadas, de modo indiferente ao problema dos presídios, nos desumanizamos. Nos desumanizamos por trairmos a razão e o espírito. A razão, por justificarmos que os que lá estão merecem ser punidos além daquilo que estabelece a lei dos homens. O espírito, porque perdemos nossa dignidade. E a perdemos por considerar que os que ali estão não são nossos semelhantes. E, como castigo por essa violação de nossos princípios, não controlamos mais os presídios. O Estado, ao não investir, não só perdeu a autoridade dentro dos presídios, como criou um ambiente em que o crime não só não é contido, mas amplificado de dentro para fora dos muros prisionais.

Nenhuma ou quase nenhuma prefeitura quer sediar estabelecimentos prisionais. As razões dessa rejeição derivam das deseconomias que os estabelecimentos trazem à municipalidade: maior população flutuante, sem laços com os habitantes locais; aumento da criminalidade; e, sobretudo, incremento da demanda por serviços públicos - saúde, educação, água, esgoto, transporte etc. - sobre os orçamentos já bastante enxutos das prefeituras. Assim, intuitivamente, prefeitos e as populações dos municípios tendem a rejeitar a construção ou ampliação dos presídios em suas áreas, porém, esquecendo-se de que o crime ocorre, sobretudo, nas cidades dos municípios. Indiferente a este problema concreto da vida das municipalidades, o governo federal acusa de má gestão a esfera estadual pela não-aplicação dos recursos que a União transfere para a construção de estabelecimentos prisionais.

Mais uma vez estamos diante de um problema que necessita soluções pelo conjunto da federação e não, como sói acontecer, transferindo-se responsabilidades entre esferas de governo. O equacionamento para o problema das deseconomias criadas pela instalação de unidades prisionais está em criarem-se incentivos econômicos para a implantação das mesmas. Estes incentivos podem ser originados de duas fontes, a saber: as transferências constitucionais federais e estaduais, dirigindo 5% ou 10% delas a municipalidades que abriguem ou virem a abrigar estabelecimentos prisionais.

Se há consciência de que ao ampliarmos vagas e melhorarmos as condições gerais dos estabelecimentos penais estaremos reduzindo a criminalidade e resgatando uma dívida social, a alteração legal dessas duas fontes de financiamentos das municipalidades terá trânsito fácil no Congresso Nacional e das Assembléias Legislativas.

É uma quantia de recurso substantiva, capaz de atrair vários municípios e com isto dar cabo de uma de nossas maiores mazelas: o inferno dos estabelecimentos penais brasileiros.

30

de
julho

Português

Nestes tempos de movimentos grevistas a nossa língua tem sido sistematicamente assassinada por alguns representantes da classe, o que piora um pouco as coisas, especialmente em matérias com ampla divulgação junto à opinião pública.

Assim, lembro que PARALISAÇÃO se escreve com "S" e não com "Z" como tenho visto. E que devemos escrever REIVINDICAÇÃO e não "REINVIDICAÇÃO", ou "REINVINDICAÇÃO".

30

de
julho

Brigada Militar Assume PMEC

Mais uma penitenciária que a BM assume: a Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas (PMEC) está nas mãos dos policiais militares, pois os poucos agentes que permaneciam em serviço estavam receosos de não poderem controlar uma provável rebelião dos presos recolhidos devido à suspensão da entrada de visitantes.

Acho tudo isso péssimo para o nosso quadro de servidores, pois mesmo em greve, penso que temos a obrigação de manter os serviços essenciais e que representam um direito a pessoas que nada tem a ver com o movimento reivindicatório.

29

de
julho

Solenidade no Instituto Psiquiátrico Forense

No meio da greve, eu em férias e mesmo assim, na última sexta-feira compareci em uma breve solenidade de entrega de computadores, materiais e principalmente um aparelho de eletroencefalograma (acho que é assim que se escreve) no IPF, com recursos oriundos de multas pecuniárias dos juizados especiais criminais, por intermediação do Promotor de Justiça, Gerson Daielo, que esteve no evento.

Também realizamos uma reunião e visitas às dependências da instituição forense.

Também compareceram um juiz representando a Vara de Execuções de Penas Alternativas, servidoras do Ministério Público e do Poder Judiciário, este delegado, o superintendente Geraldo Bertolo e o corregedor-geral José Serpa.

Fotografias do evento

Reunião entre os presentes

Sala onde foi instalado o aparelho

Computadores doados

29

de
julho

Negociações

Parece que o governo acatará três das reivindicações dos representantes dos servidores penitenciários: o plano de carreira, horas extras e nomeação dos servidores aprovados em consurso.

Quem está intermediando as negociações, entre outros, é o ouvidor da SSP, Adão Paiani, que se reuniu com o sindicado ontem à noite, hoje à tarde e quer ainda hoje se reunir novamente, já que amanhã é dia de visitas na maioria dos estabelecimentos penais do Estado e o governo pretende negociar para que a greve seja encerrada.

29

de
julho

E os Louros Vão Para a Brigada Militar

A Brigada Militar assumiu ontem a sexta cadeia no Estado. Trata-se da Penitenciária Industrial de Caxias do Sul, já que os servidores penitenciários radicalizaram na greve ao não conceder o direito dos presos de receber seus vistantes.
É a primeira vez que a Brigada Militar assume a segurança externa e interna da Penitenciária Industrial de Caxias, além de continuar realizando os serviços administrativos. A direção da cadeia entregou o comando da unidade aos PMs.
Os servidores fizeram uma reunião na tarde de ontem com representantes do governo estadual, mas as negociações não avançaram. O novo secretário da Segurança Pública, Edson de Oliveira Goularte, não participou do encontro, assim como integrantes da Susepe.

Além da troca de comando na penitenciária de Caxias do Sul, estão sob a responsabilidade de PMs as prisões de Alegrete, Bagé, Cachoeira do Sul, Rio Grande e Santana do Livramento. Hoje, a governadora Yeda Crusius e o novo secretário da Segurança Pública devem estar em Caxias do Sul para anunciar a data da inauguração do novo presídio erguido no município. Os dois devem visitar as dependências da nova prisão.

O Comando Regional de Policiamento Ostensivo da Serra retirou ontem 25 PMs do Pelotão de Operações Especiais das ruas para atuar na Penitenciária Industrial. Os brigadianos ficarão na unidade até os agentes, auxiliares e monitores reassumirem suas funções. O chefe do policiamento na Serra, coronel Jones Barreto dos Santos, recebeu pela manhã a notícia de que os agentes iriam interromper todas as atividades e entregariam o comando da unidade.

Logo após o meio-dia, iniciou-se a transição de todas as funções internas da cadeia. A primeira atividade da direção militar foi chamar os representantes dos presos e garantir que as visitas nas quartas-feiras e nos finais de semana seriam mantidas, e os traslados para as audiências, retomados. Em média, 15 presos são levados diariamente para audiências na Justiça. Esse trabalho havia sido suspenso no início da greve dos servidores da Susepe.

Vamos manter todos os serviços. Os presos não serão prejudicados. Queremos que o período em que ficaremos no comando da penitenciária seja tranqüilo e sem problema de segurança _ afirmou o coronel Jones.

Vejam o resultado que este movimento grevista radical alcançou! Irresponsavelmente, ilegalmente e infantilmente entrega a outra corporação a tarefa de manter a ordem nos presídios do Estado. Queriam ver o circo pegar fogo e conseguiram. Isso em um sistema peniteniário, que a despeito de todas as carências, vinha sendo mantido sob absoluto controle, graças ao trabalho da nossa sofrida categoria. Entretanto, um bando de incendiários está pondo tudo a perder.

Aguardem e verão os resultados disso.

28

de
julho

Artigo ZH

Intolerância máxima, por Cláudio Brito

Não é de hoje que se sabe da dificuldade que os administradores que pretendem construir presídios enfrentam com suas comunidades.

Ninguém quer ser vizinho de uma cadeia.

Todos clamam por segurança, exigem providências, pedem que o Estado prenda e arrebente, mas, na hora de ver uma penitenciária na sua rua, ninguém quer. Em ano de eleição, então, nem se fala. Vereadores e candidatos a prefeito são sensíveis às passeatas e campanhas que se opõem aos planos de construção de alguma casa para condenados e há políticos que fazem mais, estimulam a rejeição.

Nem albergue para o cumprimento de penas em regime aberto está passando.

Atitude equivocada, pois é certo que estar próximo de um presídio não traz perigos. Falam das fugas e dos motins, mas quem foge quer distância daquele lugar. O que alimenta a rejeição dessas pessoas é outro sentimento, de intolerância. E não é só com a cadeia que isso ocorre. Rejeitam hospício, sanatório e similares. Por que os leprosários sempre foram construí-dos longe das concentrações urbanas?

O Presídio Central de Porto Alegre é o pior do Brasil e as coisas não são muito melhores nas outras cadeias de nosso Estado. A Secretaria de Segurança organizou projetos e habilitou-se aos recursos federais destinados à construção de presídios. Está aqui esse dinheiro. São R$ 80 milhões disponíveis, que poderemos perder.

Viamão sinaliza que presídio é bom para Alvorada, Portão não aceita falar no assunto, dezenas de outras cidades tocam a mesma música. As que estão querendo o dinheiro e as obras não chegam a três em um universo de quase 500 municípios. O ex-secretário José Francisco Mallmann, na véspera de seu pedido de demissão, advertia: "Enquanto a população protesta e faz passeata com faixas dizendo não à instalação de presídios nas cidades, os números são claros, confirmando que 80% dos crimes registrados no Rio Grande do Sul são cometidos por foragidos da Justiça. Enquanto isso, nós trabalhamos com 15 estabelecimentos penais interditados". Há outros dados que impressionam. São mais de 6 mil mandados de prisão esperando cumprimento e um déficit de mais de 9 mil vagas. O Ministério Público e o Judiciário fazem o que podem, como na decisão da juíza Rosana Garbin, da 7ª Vara da Fazenda Pública, que acolheu pedido da Promotoria das Execuções Penais e determinou que o Estado crie emergencialmente 505 novas vagas para os regimes aberto e semi-aberto. O Estado vai cumprir a ordem judicial, é claro, ou pagará multas diárias.

Talvez fosse necessário um ato de império dos governos federal e estadual para resolver o impasse, com atos de coragem de seus titulares, pois as pressões a que se submetem por implicações políticas nem sempre são legítimas e não é verdade que sempre estejam certas só por nascerem na sociedade. Precisamos de presídios e em algum lugar eles deverão ser construídos. Alguém precisará vencer as resistências e derrubar o preconceito e a intolerância, ainda que esta hoje se encontre em seu estágio máximo.

28

de
julho

E o Circo Pegou Fogo

Se o objetivo era chamar a atenção,  isso foi plenamente alcançado. Várias rebeliões acontecem em vários presídios do estado. Tudo por que a entrada dos visitantes dos presos também foi suspensa pelos grevistas. Assim, a Brigada Militar tem assumido a segurança de alguns estabelecimentos. Ótimo resultado do movimento. E os irresponsáveis incendiários estão rindo à toa. Tolos sem bom senso, só prejudicam todo o sistema e todo o quadro de servidores penitenciários com isso.

O movimento, da forma como vinha sendo conduzido já alcançaria bons resultados, pois as audiências judiciais não estavam sendo realizadas e isso não provocaria rebeliões. Não permitir a entrada de visitantes representa o descumprimento da Lei de Execução Penal, prejudicando pessoas que nada têm a ver com os problemas do sistema penitenciário gaúcho.

28

de
julho

General na SSP

Surpreendente para todos a escolha do novo secretário. E também difícil entender. Na minha opinião é um equívoco querer colocar um técnico como secretário da segurança. Isso porque esse técnico não pode ser membro da Brigada Militar, ou da Polícia Civil, por motivos óbvios. Muito menos servidores das outras corporações que compõem a pasta - a Susepe e o IGP - então tem que ser um político com liderança, perfil e bom trânsito junto ao governo para que possa realizar um trabalho de bom nível, tendo ao seu lado uma equipe de técnicos de todas as áreas.

Mas se a escolha foi a de um general do exército, vamos em frente, pois temos a obrigação de colaborar e de sermos leais.

Posse do novo secretário, Gen. Edson de Oliveira Goularte

26

de
julho

Despedida do Secretário

Secretário Mallmann se despede da SSP

José Francisco Mallmann reuniu a Imprensa no auditório da SSP, na tarde desta sexta-feira (25/07). No encontro, revelou as circunstâncias que motivaram o pedido de exoneração do cargo de secretário da Segurança Pública, entregue no Palácio Piratini, por volta do meio-dia. Mallmann declarou que a saída do cargo foi construída em sintonia com o Governo do Estado, sem atritos, sem desavenças e, segundo ele, no momento certo.
A carta de exoneração, revelou Mallmann, estava pronta há 30 dias. Apesar da pressão dos familiares e do estresse pelos constantes rumores que indicavam a saída do cargo, ele protelou essa decisão, pois sempre recebeu o apoio da governadora Yeda Crusius. Porém, o bom momento vivido pela Segurança Pública do RS com 86 por cento dos indicadores de criminalidade controlados, e a chegada de mais recursos financeiros, provenientes das esferas estadual e federal, o levaram a concluir que era hora de sair. Afora isso, destaca a conclusão do Planejamento Estratégico, para o período 2008/2011, e o Projeto Estruturante Cidadão Seguro, a ser lançado pelo Piratini, que propiciará a recomposição dos efetivos do aparato policial, até 2010, e a renovação da frota de viaturas, bem como a ampliação de vagas nos presídios e a reestruturação da inteligência policial.Questionado sobre o relacionamento com a Brigada Militar e Polícia Civil, José Francisco Mallmann afirmou que sempre recebeu total apoio das corporações. Quanto ao futuro, José Francisco Mallmann projeta uma gestão facilitada para o novo secretário da Segurança Pública que assumir em seu lugar: “O trabalho de elaboração e encaminhamento de projetos visando à captação de recursos já foi feito, e o prazo de um ano para que as coisas aconteçam já passou. As verbas estão chegando e a tendência é de que as condições de trabalho para os servidores da Segurança Pública, inclusive na questão salarial, sejam melhores” – disse Mallmann.Terminada a entrevista coletiva à Imprensa, José Francisco Mallmann reuniu, no próprio auditório, os funcionários da SSP, e agradeceu pelo trabalho e empenho de todos, nos 15 meses em que está no cargo, e ressaltou que é preciso saber a hora de sair.

26

de
julho

Estaca Zero

Recomeçar, parece ser a nossa sina atualmente. Já estamos no segundo ano de governo e o trabalho não engrena. O secretário saiu, o superintendente também. Bem que poderia permanecer o nosso colega Antonio Bruno Trindade, profissional que já demonstrou competência na administração da Susepe, antes do Geraldo Bertolo assumir.

Isso tudo em um momento de greve dos servidores penitenciários, que aguardavam uma resposta do governo na última quinta-feira, que não veio. A categoria radicalizou ao suspender as visitas aos presos e as consequências disso são imprevisíveis.

Estou em férias, fora do país, e não esperava ao programar esta viagem - há mais de dois meses - que tudo isso aconteceria. Retorno só no próximo dia 4 de agosto, segunda-feira.

24

de
julho

Penas Alternativas no Brasil

Notícia do Estadão de São Paulo

Por Adriana Carranca

Penas alternativas superam prisões pela primeira vez
Para o governo, ainda se prende em demasia e há 54 mil condenados que poderiam não estar no cárcere

Pela primeira vez, o número de pessoas cumprindo penas e medidas alternativas no Brasil disparou em relação aos presos. Os dados, não consolidados oficialmente, foram obtidos pelo Estado com exclusividade e se referem ao primeiro semestre deste ano. Até 30 de junho, 498.729 pessoas cumpriam pena ou medida em liberdade (PMA), 13,4% a mais dos que os 439.737 encarcerados, segundo dados do Infopen, sistema de estatísticas do Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

Caso se exclua quem aguarda julgamento atrás das grades, o número dos que cumprem alternativas é 118,6% maior. Só o Rio Grande do Norte não informou o número de presos até junho. Nesse caso, foram usados os dados disponíveis em 31 de maio. Como se trata de um Estado com menos de 1% dos detentos, isso não interfere de forma significativa nas estatísticas.

Em dezembro de 2007, havia 422.522 pessoas cumprindo penas alternativas, menos do que os 423.373 presos. Entre dezembro de 2007 e o fim de junho de 2008, o número de pessoas cumprindo PMAs saltou 18% - ante 4,1% no número de presos. Em comparação com 2006, o salto é ainda maior: 65,5% em relação aos que cumpriam PMAs - ante 9,6% dos detentos.

LEIS

Apesar dos avanços, a coordenadora-geral do Programa de Fomento às Penas e Medidas Alternativas do Depen, Márcia de Alencar, diz que a Justiça brasileira ainda prende em demasia. Segundo ela, há pelo menos 54 mil presos condenados por crimes que já prevêem a substituição da condenação em cárcere por penas alternativas. "A prisão é, no Direito Processual, um recurso de exceção, que se tem mantido como regra", diz.

Segundo Marcia, o aumento no número de pessoas cumprindo condenação em liberdade se deu, "prioritariamente, por um incremento legal dos crimes passíveis de penas alternativas". Em 2002, apenas cinco leis tipificavam crimes com possibilidade de aplicar PMAs. "Hoje, o número de leis para aplicação de PMAs chega a 12."

Por outro lado, o endurecimento da punição para crimes de violência contra a mulher, com a aprovação da Lei Maria da Penha, em 2006, levou muitas pessoas para a cadeia, embora as penas previstas nesse caso possam ser cumpridas em liberdade. "Aplicar mais penas alternativas não significa que os criminosos não terão a sua condenação. O que não pode é restringir as penas alternativas somente ao pagamento de cesta básica", diz Marcia. Ela defende maior controle da execução das penas alternativas. "Se o juiz percebe que não há controle, ele mantém o sujeito preso."

O Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), do Ministério da Justiça, prevê R$ 13,8 milhões para a aplicação de PMAs neste ano - é quase o valor investido no setor desde 1994. O Ministério da Justiça promete implantar Núcleos de Defesa do Preso Provisório em seis Estados e fortalecer as defensorias.

24

de
julho

Sequestrador Capturado

O criminoso Artur Orling, sequestrador da administradora de empresas Margarete Rohde, que havia fugido ontem do Presídio Estadual de Carazinho, foi capturado em uma residência no município de Não-Me-Toque, situado na região.

O bandido é acusado de outros crimes e devido ao seu perfil, foi transferido para o Presídio Regional de Passo Fundo, estabelecimento com maior segurança.

23

de
julho

Emergência

O pedido de emergência no sistema carcerário gaúcho foi descartado hoje pelo governo do estado. A proposta encaminhada por gestores do sistema à Procuradoria-Geral do Estado (PGE) para parecer sequer foi apreciada, sendo retirada pelo governo.

O intuito da declaração de emergência era o de agilizar a liberação de recursos e a construção das novas unidades, porém a governadora Yeda achou isso dispensável.

Só resta saber qual serão as alternativas no sentido de que possamos construir novas penitenciárias no menor prazo possível, já que a situação em termos de carência de vagas é caótica.

23

de
julho

Greve dos servidores penitenciários

O sindicato está convocando os servidores penitenciários para uma assembléia geral a ser realizada na próxima sexta-feira, dia 25/07, às 10h, na sala A2B2 da Casa de Cultura Mário Quintana, a fim de serem apreciadas as prometidas propostas do governo referentes à pauta de reivindicações da categoria, bem como em relação à continuidade do movimento.

Espero que as cabeças pensantes deste movimento sejam iluminadas e que a paz volte a reinar entre os servidores e o governo, pois do contrário, todos sofreremos as conseqüências.

23

de
julho

Mudanças no processo penal

Leis que mudam processo penal já causam polêmica

As recentes alterações feitas no Código de Processo Penal (CPP), por meio de duas leis sancionadas no mês passado - a Lei nº 11.690 e a Lei nº 11.689 - já preocupam juízes e advogados criminalistas que acreditam que algumas determinações serão, na prática, inviáveis. As leis, que entram em vigor no fim de agosto, foram feitas para dar maior celeridade aos processos. Um dos dispositivos que tem causado polêmica é a exigência de se realizar a chamada "audiência una", na qual o juiz ouve réu e testemunhas em uma única audiência.

Em recente manifestação pública, o juiz Fausto Martin De Sanctis criticou a audiência una, que, segundo ele, seria inviável, já que constantemente os réus e testemunhas residem em distritos diferentes. Outro argumento contrário ao procedimento, na opinião do advogado Paulo Sérgio Leite Fernandes, é que há processos muito extensos e complexos nos quais não é possível o término em uma só audiência. "Já atuei em vários casos com mais de 40 réus", diz Fernandes.

Outro ponto polêmico é em relação à mudança no artigo 265 do Código de Processo Penal, que determinava que a audiência não poderia ser adiada - agora, a nova legislação prevê que isso pode ocorrer caso a ausência do defensor seja justificada. "Um advogado mal-intencionado pode alegar doença para postergar um processo", afirma o juiz De Sanctis. Mas, para o advogado Mauricio Zanoide de Moraes, conselheiro do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCrim), a medida é positiva, pois pode ser usada em casos de real urgência. "O juiz tem a possibilidade de investigar se a justificativa é verídica", diz Moraes. Na visão do IBCCrim, há outros pontos benéficos trazidos pelas novas leis, como a possibilidade de uma sentença judicial antes mesmo de o juiz ouvir testemunhas, a exemplo do que ocorre nos processos civis. Pela Lei nº 11.689, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar, por exemplo, que o fato narrado não constitui um crime ou a existência de alguma prova que exima o acusado de culpa. Até então, o juiz não poderia atravessar procedimentos do julgamento.

Alterado pela Lei nº 11.690, o artigo 212 do Código de Processo Penal passou a permitir que as perguntas serão formuladas pelas partes diretamente às testemunhas, podendo ser vetadas pelo juiz. "Perdemos muito tempo fazendo a redução a termo, o processo ficará mais célere", diz o juiz federal Nino Toldo, vice-presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). Outra novidade positiva, para Toldo, é o artigo 217, que agora possibilita que o juiz faça a inquirição por videoconferência, quando verificar que a presença do réu pode causar constrangimento à testemunha.

23

de
julho

Fuga do Sequestrador

O bandido Artur Orling, 25 anos, sequestrador da jovem administradora de empresas Margarete do Amaral Rohde, 27 anos, fora outros crimes pelos quais responde, já está solto. Ficou apenas oito dias preso, pois ontem aproveitou as precárias condições de segurança do Presídio Estadual de Carazinho e fugiu por volta das 14h 30min, no horário do banho de sol no pátio do estabelecimento.

Segundo informações preliminares, havia em torno de 190 detentos no pátio e um grupo passou a jogar pedras na guarita onde estavam dois policiais militares da guarda externa. Assim, foi desviada a atenção da vigilância externa e seis presos pularam o muro. Destes, quatro foram presos em seguida.

A vítima está em tratamento, já que ficou em estado de choque após o sequestro e pelo que se noticia, também tortura a que foi submetida. Os seus familiares estão evidentemente abalados com o crime cometido, mas ao menos esperavam que o bandido ficasse isolado. Nada feito, agora com certeza o pânico entre os familiares de Margarete deve ser imenso e por isso solicitaram proteção policial.

Deveríamos ter autonomia na Susepe, ao menos nestes casos, para recolher em um estabelecimento de segurança máxima bandidos com esse perfil.

E o bandido é perigoso e ousado mesmo. Na fuga, a poucos metros do presídio, acompanhado de outro foragido, invadiu uma casa, bateu e amarrou com fios a proprietária da residência, tudo para pegar o carro da vítima, que horas depois foi encontrado em uma estrada vicinal.

Depois do ótmo trabalho realizado pela equipe de investigação da Polícia Civil, a notícia foi desanimadora, mas já atuam no sentido de recapturar o criminoso, com uma equipe de 30 agentes.

Além do seqüestro de Margarete, a trajetória de violência de Orling inclui outros dois crimes graves, cometidos em Carazinho em maio: ele foi indiciado pelo homicídio da namorada dele, uma adolescente de 15 anos que estava grávida, executada com cinco tiros, e pelo roubo de um veículo em que feriu o motorista.

21

de
julho

Saúde no sistema penitenciário

Ontem no jornal da RBS TV Tele Domingo, foi exibida uma matéria sobre os presos que necessitam internação ou atendimento hospitalar, tendo que utilizar a rede pública, misturando bandidos com pacientes comuns.

A autoridade que mais apareceu falando sobre o problema foi o Promotor de Justiça Gilmar Bortolotto. Pela Susepe, apenas a Cristina, chefe da Divisão de Saúde do Departamento de Tratamento Penal (DTP) apareceu dizendo apenas uma frase curta. Além dela, por que o nosso superintendente ou o diretor do DTP não apareceram? Esses seriam os profissionais mais abalizados para abordarem o tema.

É essencial para o nosso sistema a construção de um centro de saúde penitenciário. Parece que o projeto apresentado no Depen para o Presídio Central de Porto Alegre (PCPA) contempla esta necessidade e está em estudo em Brasília. Tomara que seja aprovado e assim possamos atender essa que é uma das principais demandas, especialmente na região metropolitana.

19

de
julho

Penitenciária de Caxias do Sul

A Penitenciária Regional de Caxias do Sul está pronta há algum tempo, mas a juíza daquela comarca, baseada em pareceres técnicos da área de segurança, afirmava que sem a construção de um muro, logo que fosse ocupada por presos a casa seria interditada jucialmente. Acontece que a obra foi realizada com recursos do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN) que não autoriza modificações no projeto original. Diante do impasse, houve a necessidade de tratativas entre o superintendente e a magistrada.

Assim a data da inauguração foi adiada, gerando uma certa polêmica em relação ao tema, além de algumas notícias distorcidas. Agora a informação é a de que na próxima semana ocorrerá a inauguração da penitenciária, com capaciade para abrigar 432 presos. Segundo a superintendência, a nova casa prisional será ocupada gradativamente por presos que são de Caxias do Sul e que estão recolhidos em estabelecimentos de outras cidades.

19

de
julho

Governadora Yeda se manifesta

Pedido de "bom senso"

Preocupada com a possibilidade de suspensão de visitas em presídios por causa da greve dos agentes penitenciários, a governadora Yeda Crusius pediu "bom senso" aos manifestantes parados desde o dia 12.

- Estamos em negociações, acredito que não teremos problemas com as visitas - disse a governadora.

19

de
julho

Artigo na Zero Hora

Para quem não conhece, Isis Nelly é colega nossa, Agente Penitenciária, atualmente exercendo a função de administradora do Presídio Estadual de Torres.

Parabéns à Isis pelo texto, o qual reproduzo no blog

Quem tem medo do "grampo", por Isis Nelly dos Santos, cientista social 

De repente, nosso país passou a discutir acaloradamente a questão dos direitos constitucionais dos cidadãos. Melhor dizendo, de uma parte dos cidadãos.

De repente, o uso de algemas passou a ser qualificado como constrangedor e arbitrário. Nunca ouvimos antes alguém preocupado com os milhares de indivíduos conduzidos algemados em todo o país, mas é claro, nenhum deles jantou em nossa casa, freqüentou os mesmos ambientes ou se aproximou de nossa família, senão, quem sabe, com uma arma na mão. Afinal, nossa lógica simplista nos informa: são bandidos, até certo ponto não são gente como a gente!

De repente, o recurso da interceptação telefônica passou a ser qualificado como abusivo, intimidativo (para quem mesmo?) e merecedor de severas restrições. Não ouvimos qualquer testemunho de cidadão honesto reclamando que teve sua vida devassada por uma escuta judicialmente autorizada. Mas sem dúvida deve ser aviltante quando são expostos os diálogos de "cidadãos acima de qualquer suspeita", aqueles, aliás, que jantaram lá em casa ou que estavam na festa do Doutor… tramando sua locupletação em estéreo.

Por mais que nossos poderes constituídos queiram negar, é preciso que se diga, sem rodeios e sem prolegômenos: não existem duas leis em nosso país, mas com certeza existem duas exegeses: uma destinada aos comuns do povo e outra aplicável àqueles que se colocaram próximos dos que fazem e aplicam as leis. Para estes, na verdade, pouco importa o quão claras sejam as evidências de afronta à lei. Aos amigos, as benesses da lei. Não há que se perguntar com quantas festas, presentes e doações esses "cidadãos acima de qualquer suspeita" se aproximaram do poder, não há como acreditar que pessoas tão finas, elegantes e de tanto bom gosto possam praticar crimes.

E, de repente, passamos a discutir a propriedade do uso de algemas. Afinal, a qualquer momento poderá ser aquele nosso amigo (quem sabe, nós mesmos) quem estará passando por esse constrangimento.

E, de repente, passamos a temer que o país se transforme num grande Big Brother. Afinal, como será possível tramar, desviar, roubar, caluniar, destruir os inimigos, sem ter a segurança do sigilo?

Vamos falar sério! Quem se preocupa com tais direitos e os defende com tanta veemência, atualmente, o faz em causa própria ou de seus segundos e terceiros. Em nenhum momento está preocupado com os direitos constitucionais dos cidadãos sem expressão - note-se aqueles que pagam por toda essa festa.

Por todos nós que "pagamos a festa", que continuem a algemar os doutores e nos mostrem claramente que ao menos nessa hora eles são iguais a nós! Que ouçam todas as conversas suspeitas, devassem as vidas desses notórios ladrões refinados. A sociedade agradece.

18

de
julho

Coluna do Paulo Sant’ana de hoje

A onda criminal

Dois policiais militares foram metralhados no Rio de Janeiro ontem. Estavam dentro de uma viatura, em posto de trabalho, quando chegou um carro e do seu interior foram despejadas dezenas de disparos, que mataram os PMs dormindo.
Depois de descerem de um carro importado moderníssimo, os autores do atentado roubaram as armas dos policiais, que restavam entre os dois cadáveres.
Ao mesmo tempo, no Leblon, durante um tiroteio entre a polícia e bandidos, um pai foi proteger sua filhinha de três anos de idade e tombou diante das balas.
Nos últimos dias, dois inocentes foram mortos por tiros da polícia.
E por aí se vai o cotidiano de morte e terror nas ruas do Rio de Janeiro. A opinião pública está há muito tempo anestesiada, acostumada a essa rotina de matança desenfreada.
Um manto de insegurança cobre há muitos anos a paisagem urbana do Rio de Janeiro, uma das mais belas cidades do mundo, há já um conformismo da população com a violência desenfreada, a todos resta torcer somente que cada um não venha a ser vítima da guerra incessante nas ruas e nas favelas.
Esse tipo de noticiário repercute mais no Rio de Janeiro. Todos os dias, o governador Sérgio Cabral vem à imprensa para pregar que não adianta discurso contra a violência dos bandidos, é preciso ação enérgica da polícia.
Mas sempre que a polícia adota ação enérgica, há o sacrifício de inocentes.
Em São Paulo, não é muito diferente o quadro de violência, como em outras capitais brasileiras.
Há tanto tempo não decresce essa violência urbana nas maiores cidades brasileiras que se pode afirmar que esse grande e dramático problema não tem mais solução, integrou-se ao metabolismo social e só resta à sociedade brasileira conviver com ele.
Isso virou um fatalismo.
Quando assim uma nação é obrigada a chorar seus mortos todos os dias, é evidente que se está vivendo uma guerra.
O potencial criminoso foi crescendo geometricamente e ao seu revés recuou a capacidade dos aparelhos de segurança para contê-lo.
Instalou-se no tecido social brasileiro um preocupante conformismo com a violência alastrada em grandes bolsões do território nacional.
Nitidamente, os governos estaduais e as forças de segurança confessam a sua impotência para conter a violência.
Além disso, os governos estaduais e o governo federal não atuam de modo a que medidas profundas e estruturais sejam tomadas para diminuir o banditismo.
A prova disso é que, aliada da violência, a precariedade total do sistema carcerário, em ritmo de falência, não é atacada por omissão e falta de coragem das autoridades.
Sem cadeias onde colocar os presos, de nada adianta tentar responder à ofensiva criminal.
Mesmo que fosse decretado estado de emergência nacional contra o crime, com mobilização de todos os agentes policiais e talvez até do Exército, esse esforço redundaria inteiramente frustrado pela inanição do sistema penal, mormente no que se refere à dramática falta de vagas nos presídios.
Nunca canso de repetir: sem vagas e sem instalações dignas da condição humana nos presídios, a situação das ruas tende a piorar.
Para limpar as ruas dos delinqüentes, é preciso achar lugar onde elas possam ser reclusos.
Como não se resolve, por incrível omissão dos governos, incentivados pela indiferença da opinião pública, a problemática carcerária, agrava-se assustadoramente a onda criminal.

18

de
julho

O bom senso impera, por enquanto

Os servidores penitenciários foram sensatos e vão aguardar até a próxima quinta-feira, quando o governo deverá apresentar algumas propostas que contemplem ao menos algumas das reivindicações em pauta. Assim, neste final de semana as visitas aos detentos será mantida, porém a greve continua até a apresentação das propostas na próxima quinta-feira.

Da parte do governo, espero que sejam sensíveis em relação a uma categoria que vem trabalhando no limite há anos, suportando uma atividade das mais estressantes. O que está sendo pedido não é muito se comparado com o ótimo serviço que estamos prestando, especialmente aqueles que trabalham nas atividades de segurança no interior dos estabelecimentos penais. Se não estão ocorrendo motins, rebeliões e fugas do regime fechado (do interior das casas especiais, até o mês passado, há mais de um ano não ocorria nenhuma fuga) é fruto de um trabalho extraordinário que vem sendo realizado pelos servidores penitenciários.

Parabéns e vamos à luta, mas com responsabilidade e bom senso, SEMPRE.

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