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24

de
maio

Crime e Genética

Para o psicólogo Adrian Raine, professor do Departamento de Psicologia e Psiquiatria da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, motivos externos, como violência na infância, correspondem a 35% dos fatores que explicam o que leva uma pessoa a matar. Pesquisa polêmica será apresentada durante o 4° Congresso Cérebro, Comportamento e Emoções, que reúne 2.300 especialistas em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Psicopatas, pessoas extremamente violentas que podem até matar, mentirosos compulsivos. Para Adrian Raine, 50% dos criminosos apresentam alterações genéticas em sua função cerebral, que podem levar ao crime. Raine, que estuda o tema há 30 anos, passou quatro anos em prisões de segurança máxima na Inglaterra, avaliando imagens em PET do cérebro de pessoas violentas e serial killers. A pesquisa será apresentada hoje para uma platéia de 2.300 psiquiatras, neurocientistas e psicanalistas brasileiros, que participam do 4º Congresso Brasileiro Cérebro, Comportamento e Emoções, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. De acordo com os estudos de Raine, 50% do comportamento violento é atualmente atribuído à genética, 35% a fatores ambientais e apenas 15% ao histórico familiar do indivíduo. “Encontramos alterações importantes na estrutura do cérebro dessas pessoas quando comparamos com as imagens obtidas de cérebros de pessoas normais”, afirma Raine. “Isso mostra que existe, sim, uma alteração biológica importante que pode levar o indivíduo a se tornar um criminoso e não podemos mais ignorar isso”, completa. Segundo Raine, alterações cerebrais atribuídas a comportamentos violentos podem ser detectadas ainda na infância. “É possível propor que crianças muito agressivas recebam tratamento ainda entre os 8 e 12 anos”, acredita o psicólogo. Um exemplo foram pesquisas conduzidas por Raine nos Estados Unidos com crianças violentas que passaram a receber desde uma dieta diferenciada (rica em peixes que possuem ômega 3, que ativam a função cerebral) até assistência psicológica. “Não adianta intervir apenas quando a criança já se tornou um adolescente criminoso. Temos condições de fazer algo antes e a ciência está, cada vez mais, comprovando isso”, completa.

Confira os perfis de pessoas violentas, de acordo com Adrian Raine:

 

Comportamento violento com tendência ao crime: São pessoas com dificuldade de negociação;

 

• Promovem sofrimento físico ou psicológico em terceiros ou nele mesmo;

• Normalmente têm sentimento de culpa;

• Podem repetir o ato;

• O estresse do momento será fator importante para a agressão. Por exemplo, um briga de casal ou no trânsito;

• Em mulheres, esse caráter aparece em agressões verbais;

• A embriaguez pode desencadear a violência;

Psicopatas

• São impulsivos e agressivos;

• Não sentem pena ou medo;

• Em situações de estresse, seus batimentos cardíacos ficam abaixo do normal (menos de 70 batimentos cardíacos por minuto);

• Transpiram menos quando submetidos a longo estresse;

• Apresentam menos pudor de fazer algo errado ou de ser punidos;

• Mentem para obter benefícios pessoais e são manipuladores;

• Não se adaptam às normas do grupo social;

• Tendem a apresentar esses comportamentos a partir dos 10 e 17 anos (tornam-se extremamente indisciplinados na escola e em casa;

• São capazes de diferenciar o certo do errado;

Mentirosos compulsivos

• Não têm sentimento de vergonha;

• Não têm regras nem censura;

• Com freqüência envolvem-se em problemas pessoais, seja no trabalho ou na vida pessoa, por conta de suas mentiras constantes;

• Mentem para obter benefícios;

• Buscam escapar de responsabilidades;

• São manipuladores e gostam da diversão;

• São identificados como pessoas problemáticas;

• Não têm responsabilidade;

• Em geral, têm um Q.I. abaixo do normal.

Pedófilos

• Não possuem um traço específico, podem ser introvertidos ou extrovertidos na mesma medida;

• Possuem preferência sexual por crianças;

• Têm a criança como objeto do desejo;

• Exercem poder de sedução sobre as crianças;

• Em geral, enganam ou mentem para as crianças;

• Muitos não são psicopatas;

• Apresentam distúrbio de impulso sexual;

• São conscientes do ato que está realizando;

• Usam de estratégias próprias para atingir seus objetivos.

Arquivado em: Violência e Criminalidade I

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