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29

de
março

Origem da Operação Rodin

Segredos e mistérios sobre o início da Operação Rodin

A Operação Rodin surgiu por acaso. Os procuradores Rafael Miron e Harald Hoppe, do Ministério Público Federal de Santa Maria, investigavam, desde abril de 2007, irregularidades relacionadas à UFSM. Eram problemas referentes ao uso de bens e veículos da universidade para fins particulares, número elevado de professores em cursos de especialização no exterior, terceirização de serviços, contratação de servidores sem concurso para o Hospital Universitário, etc. Quase todos intermediados pela Fatec.
Também se verificava a ausência de prestação de contas de recursos públicos recebidos pela Fundação para o desenvolvimento de projetos. A investigação do MPF arrolou 20 procedimentos suspeitos.
Paralelamente ao recolhimento de dados, surgiram as denúncias do ex-secretário da Segurança, Enio Bacci, de improbidades no Detran. Foi a primeira vez que o órgão estadual apareceu junto com a UFSM e a Fatec. Os dois procuradores passaram a focar atenção a esse contrato, em especial. Surgiram novas empresas sistemistas – a Fatec sempre fez muito uso delas –, movimentando volumosos recursos públicos.
Foi neste momento que surgiu na investigação a Pensant Consultoria, além de um sobrenome que lhes era bastante familiar. Miron estudara com Denise Nachtigall Luz, à época namorada de Ferdinando, filho de José Fernandes. Mais que isto. Tanto ele quanto Hoppe freqüentavam o mesmo círculo social, tendo, inclusive, participado da cerimônia de casamento de Denise e Ferdinando.
O passo seguinte dos procuradores foi declarar-se impedidos de prosseguir nas investigações, por razões de foro íntimo. Embora não admitam publicamente, a amizade com os Fernandes deve ter tido pesado em sua decisão.
Miron e Hoppe foram substituídos pelos procuradores Ivan Cláudio Marques, de Uruguaiana; Enrico de Freitas, de Cachoeira do Sul; Fred Wagner, de Cruz Alta; Alexandre Schneider, de Bento Gonaçalves; e Adriano Raldi, de Canoas.
É aí que começa o papel da Polícia Federal e a história conhecida.
Uma das perguntas que os santa-marienses mais se fazem é sobre o porquê de a PF - e não a Polícia Civil -, ter investigado o Detran, já que os principais protagonistas do caso são um órgão estadual e duas entidades privadas. A participação da UFSM fora secundária, apenas porque já desenvolvia um projeto bem-sucedido de educação para o trânsito.
Outro porquê é quanto à exclusividade do Detran como alvo da Operação Rodin, e não todo o resto. A Fatec tem mais de 400 contratos, os quais estão sendo, desde o início do ano, examinados por auditorias externa e interna, contratadas pelo novo gestor da Fundação, Rogério Koff. A Fundae tem 50 contratos, que também estão sob auditoria.
O próprio procurador Rafael Miron admite que pode haver outras irregularidades, sobretudo nos contratos com a UFSM (a grande maioria), o que, neste caso, justificaria, mais que tudo, o trabalho da Polícia Federal. Mas não foi o que a PF entendeu, decidindo limitar os trabalhos no Detran.
Se a Polícia Federal quisesse fazer o trabalho completo, poderia, por exemplo, ter sondado a ligação da Fatec com as prefeituras de Santa Maria e Pelotas. Em 2002, adquiriram um software de gerenciamento administrativo comercializado pela Fundação, por R$ 1,4 milhão, com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O software, denominado SIM (Sistema de Informatização Municipal) nunca funcionou a contento, apresentando problemas desde sua implantação. Foi desenvolvido pela empresa SIG, de cuja sociedade, aliás, participavam dois funcionários do CPD da UFSM.
A consultoria para o desenvolvimento do software foi prestada pela empresa Intercorp, que recebeu R$ 600 mil pelo trabalho. A Intercorp pertence ao empresário gaúcho Luis Antônio Lima, envolvido em irregularidades na gestão da UnB e em prefeituras do PT em todo o país. A negociação aconteceu no início do primeiro mandato dos atuais prefeitos de Santa Maria, Valdeci Oliveira, e de Pelotas, Fernando Marroni, ambos petistas.
Apenas cinco anos depois, em julho de 2007, a prefeitura de Santa Maria até entrou na Justiça para reaver os recursos aplicados. Justo quando a Fatec já estava sob investigação, o que não era segredo na cidade. E apenas quatro meses antes de ser desencadeada a Operação Rodin.

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