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28

de
janeiro

Papagaio… Ainda

28 de janeiro de 2008

Fuga de Papagaio revolta polícias
Assaltante de carros-fortes estava preso no Instituto Penal Miguel Dario, em Porto Alegre, e escapou pela quinta vez
Um dos recordistas de fugas no Rio Grande do Sul, o assaltante Cláudio Adriano Ribeiro, o Papagaio, escapou ontem pela quinta vez do sistema penitenciário do sul do país e voltou a expor a fragilidade penal.

Papagaio, 41 anos, cumpria pena no Instituto Penal Miguel Dario, uma prisão-albergue sem grades na zona leste de Porto Alegre, até o fim de semana, quando, às 2h15min de domingo, os guardas notaram sua ausência. Papagaio estava até as 23h no albergue, garante o diretor do estabelecimento, Rubiara Costa.

- Estranhamos, já que ele estava bem adaptado, os presos gostavam da comida que ele prepara, e o Papagaio nunca relatou problema de brigas ou ameaças - afirma Rubiara.

Enquanto Rubiara alimentava esperanças de que Papagaio voltasse ainda no domingo, já que falta pouco tempo de pena para o presidiário ganhar a liberdade condicional, uma legião de autoridades e especialistas manifestavam indignação.

O subcomandante da Brigada Militar, coronel Paulo Roberto Mendes, reclama das decisões que levaram o apenado a sair do regime fechado.

- Ele cometeu crimes graves e tem demonstrado que não quer ficar preso. Não pode continuar no semi-aberto de forma alguma - disse Mendes, para quem a nova fuga "já era esperada".

O titular da Delegacia de Capturas da Polícia Civil, delegado Guilherme Wondracek, diz que não será montada operação especial, mas os agentes tentarão localizar Papagaio.

- Só posso dizer uma coisa: não nos surpreende - comenta o delegado.

O subprocurador-geral de Justiça, Eduardo de Lima Veiga, culpou a falta de vagas nas prisões gaúchas como principal culpado pelas fugas - havia a escassez de 9 mil lugares no fim do ano passado. O subprocurador acredita que a superlotação obriga os juízes a conceder a progressão ao semi-aberto com base apenas no tempo de cumprimento da punição, sem observar outros critérios.

Isso, na opinião do subprocurador, acaba por colocar em regimes menos rigorosos presos propensos à fuga. Resultado: 17 apenados escapam por dia no Rio Grande do Sul, conforme média dos oito primeiros meses de 2007.

O presidente da Organização Não-Governamental Brasil Sem Grades, Luiz Fernando Oderich, aponta outro ingrediente responsável por facilitar as escapadas. Segundo o empresário, o abrandamento da lei que ocorreu nesta década incentiva que a Justiça não leve em conta as chances de o preso fugir. As alterações levaram juízes a não pedir mais a avaliação psíquica quando um apenado pretende sair do regime fechado para o semi-aberto.

- Com a mudança, agora a progressão de regime virou uma questão de matemática - avalia.

Polícia Civil diz que não fará operação especial

Papagaio estava há cerca de um mês no albergue Miguel Dario. Antes estava em outro albergue da Capital, o Pio Buck, de onde foi retirado após beber cerveja no horário de trabalho. Como punição, foi mandado em dezembro para uma cela isolada na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), onde ficou por cerca de cinco dias, até ser conduzido ao Pio Buck.

Condenado a 36 anos e 11 meses por assaltos a carro-forte em Farroupilha e a bancos em Blumenau e Joaçaba, em Santa Catarina, Papagaio se notabilizou no mundo do crime pelas fugas. É a quinta escapada desde a década de 90. Ele ganhou fama ao ser o único detento que conseguiu fugir da até então inviolável Pasc, em 1999. Foi recapturado em janeiro de 2000, seis meses após a fuga, em Ibiraquera (SC).

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